Não sei como começar essas mal traçadas linhas. Penso comigo: por quê não começar do agora, do presente? Afinal, ainda está fresco na minha cabeça. Posso discorrer com mais facilidade, tirando que é uma situação que se encaixa “como uma luva” no tema ao qual me pré-disponho a falar. Meus minutos anteriores expressam perfeitamente a quantas andam as pessoas neste começo de século XXI. Estou aqui com febre, uns 37,8º. Durante a última noite estive bem pior, minha febre atingiu o pico de 38,8°. Não, não quero dizer que o mundo atual está febril, mas evidencio que qualquer pessoa normal estaria repousando neste exato momento. Foi o que fiz, mas como a maioria também sempre faz, não a ponto de ficar bom. Isto mesmo. Em vez de estar deitado esperando que os remédios fizessem efeito por completo, não resisti a uma pequena visita ao messenger (MSN) para saber quem estava on-line e também a responder alguns recados no orkut, os tão conhecidos “scraps”. Depois de pouco mais de uma hora fazendo isso, sinto que nada de novo foi-me acrescentado. Preciosos minutos da minha vida se perderam e o vazio costumeiro apenas cresceu dentro de mim. Tenho plena certeza que isso não acontece apenas comigo. Nessa era tecnológica, as pessoas geralmente dedicam atenção e tempo a coisas sem importância. O famoso peso na consciência vem logo depois e nos deixam piores. No meu caso, por exemplo, será que esse tempo perdido não poderia ser revertido em uma melhora se eu estivesse em repouso? Continuo doente e meu vazio aumentou. Esse é meu saldo diante de tudo isso. Pior que analisar o saldo, é saber que a teoria é sabida, mas não colocada em prática. Os mesmos erros são cometidos e os mesmos arrependimentos nos seguem. Apenas tendo por base esse pequeno contexto, já tenho base suficiente para afirmar que o século XXI é o século do desperdício. Desperdício de tempo, desperdício de momentos, desperdício de vida. Também podemos citar aqueles desperdícios que não são abstratos. Entre os desperdícios palpáveis, temos o desperdício da água, desperdício de alimento e de tantos outros bens de consumo. Posso estar redondamente enganado, mas não volto atrás em nenhuma palavra. Após o vazio sentido, felizmente consigo dar um sorriso. Apenas o fato de pensar e refletir sobre tudo isso já é uma ótima forma de aproveitar meu tempo. Continuo com meu corpo extremamente dolorido devido à febre, mas, pelo menos agora, consigo sentir minha mente um pouco mais saudável. Acabei de exercitar meu mundo inteligível, algo que temos feito pouco hoje em dia. |
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sábado, 29 de março de 2008
Desperdício: A “imagem” do século XXI
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